quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Olhos Caliginosos: O Desfecho do Maior Erro da Justiça Brasileira

Preso por um crime que não cometeu, ex-mecânico passa 19 anos na prisão e luta até o fim para demonstrar honestidade


Marcos Mariano: viveu por liberdade e justiça
Por Aline Moura

Marcos Mariano da Silva, 63 anos, tem uma história de vida retratada por luta, vitória e injustiça. Após entregar a vida para provar sua inocência, faleceu nesta quarta-feira, 23, sonhando com parte da indenização de 2 milhões de reais compensada pelo estado de Pernambuco. Segundo o advogado José Afonso Bragança, o STF reconheceu o caso como "o maior erro da justiça brasileira”.
Em 1976, o ex-mecânico foi preso pela primeira vez no lugar de um homem acusado de assassinato, os dois foram confundidos por possuir o mesmo nome. Após seis anos, o verdadeiro culpado apareceu e Marcos foi liberado. Mas a tão sonhada liberdade durou pouco, ao dirigir um caminhão foi parado em uma blitz e reconhecido por um policial, que o prendeu novamente em 1985, quando o juiz chegou a conclusão de que ele seria um foragido da justiça.
Foram mais 13 anos marcados por uma tuberculose e uma rebelião no presídio em que uma bomba de gás formou estilhaços de vidro que lhe causaram a cegueira. Em 2006, ganhou uma ação judicial, mas recebeu a metade do valor, um milhão de reais. E o Estado recorreu com outras ações para não saldar o restante da indenização. Ontem o Superior Tribunal Federal negou o recurso do Estado e favoreceu a ação a Marcos que soube da decisão pelo telefone e foi tirar um cochilo, quando faleceu. Com parte do dinheiro comprou casas para ele e seus familiares, e atualmente vivia com a mulher e um filho.

Em entrevista a um telejornal local, contou que o seu maior desejo era ter a visão de volta, se por Deus fosse merecido o concedimento. José Afonso Bragança declarou que este foi um momento tão esperado que pode ter trazido paz e tranquilidade para Marcos, “Um homem que sofreu a vida inteira e lutou pra mostrar pra sociedade que ele era uma pessoa correta, honesta e justa, contou o advogado.


Foto: Divulgação

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